Cateterismo cardíaco ( CAT ) e cineangiocoronariografia

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1- O quê é o cateterismo cardíaco e a cineangiocoronariografia ?

O cateterismo cardíaco ( CAT ) consiste em introduzir um cateter até o coração , através de uma artéria periférica , localizada nos membros superiores ou na região da virilha . Este cateter é posicionado nas artérias coronárias e no ventrículo esquerdo, para a realização de injeções de contraste ( cineangiocoronariografia e ventriculografia ) , que permitirão observar a presença de placas de gordura ( ateromas ) nas artérias ou outras anormalidades ques estas possam apresentar. O CAT é realizado em um local apropriado , chamado de laboratório de hemodinâmica , sendo que as imagens do exame são obtidas através de um equipamento de raio X . O CAT poderá ser eletivo ( previamente agendado ) ou de emergência , como nos casos de infarto do miocárdio .

2- Quais as orientações para a realização de um CAT eletivo ?

- Jejum de pelo menos 6 horas . É necessário a presença de um acompanhante , preferencialmente um familiar , durante o exame.

- Medicações de uso habitual não deverão ser suspensas , exceto os anticoagulantes orais , por 5 a 7 dias, pelo risco de sangramento ( a relação normalizada internacional ou RNI , deverá estar abaixo de 1,5 ) e a metformina ( medicação para o tratamento do diabete melito ) por 48 horas , pelo risco de interação adversa com o contraste e lesão renal.

– Exames de interesse deverão ser trazidos no dia do CAT ( teste de esforço , cintilografia de perfusão miocárdica , ecocardiograma de estresse , laudos de CAT ou angioplastia coronariana prévios ) . É importante trazer um laudo cirúrgico em pacientes submetidos a cirurgia de ponte de safena previamente , pois será útil para que o hemodinamicista possa saber quantas e quais foram as pontes realizadas .

– Pacientes alérgicos a contraste deverão fazer um preparo prévio ao exame com medicações anti-alérgicas .

- Pacientes com disfunção renal , ou com risco de desenvolvê-la , poderão necessitar de alguma medicação ou internação prévia para hidratação com soro fisiológico , visando minimizar riscos de disfunção renal ocasionada pelo contraste do exame ( este deverá ser de um tipo especial , com menos potencial de lesar o rim ). Pacientes renais crônicos deverão fazer diálise no dia que antecede o exame.

3- Como é feito o CAT? quais os elementos analisados durante o CAT?

- O CAT geralmente é realizado apenas com anestesia no local aonde é introduzido o cateter , no entanto , poderá ser realizado sob anestesia geral de curta duração. O exame é realizado em um local apropriado , chamado de laboratório de hemodinâmica , o qual é aparelhado com todos os equipamentos e as medicações necessárias para a realização do exame com segurança. Geralmente a equipe é composta por um médico , uma enfermeira e um técnico especializado .

- Com o paciente deitado em uma maca , um cateter é introduzido por uma artéria periférica ( radial ou braquial no antebraço ou femural na virilha ) e é conduzido até o tronco das artérias coronárias esquerda e direita. Após a injeção de contraste nestas artérias, são obtidas imagens de raio X em diversas posições . Na última etapa do exame , é realizada a ventriculografia ( visualização sob contraste do ventrículo esquerdo ). Neste momento é comum o paciente sentir um sensação de calor no tórax . Durante todo o exame , o ritmo cardíaco é observado através de um monitor.

– Terminado o exame , é feito um curativo compressivo no local da punção arterial. Quando o CAT é realizado através da artéria da virilha ( femural ) , é necessário que o paciente fique internado para observação de possíveis complicações no local da punção , como por exemplo , sangramentos. Quando o exame é realizado pelas artérias do antebraço ( radial ou braquial ) , o paciente costuma ser liberado para casa logo após o término do exame.

– Durante o CAT é possível observar a presença de placas de ateromas nas artérias . Caso seja necessário , o ultrassom intracoronariano ( USIC ) poderá ser realizado . Em geral , os ateromas sao considerados críticos , quando causam um estreitamento da artéria maior que 70%. Outras anormalidades , como tortuosidade coronariana ( artérias tortas ) , ponte intramiocárdica ( uma parte da artéria passa por dentro do músculo cardíaco , sofrendo um estreitamento durante a contração do coração ) e mal-formações congenitas, também poderão ser observadas durante o CAT . A ventriculografia permite avaliar a força de contração das paredes do coração , podendo ainda visualizar imagens de trombos ( coágulos de sangue ) dentro do ventrículo. O funcionamento das válvulas cardíacas e as pressoes das diversas câmaras do coração , também poderão ser avaliados .

4- Quais as indicações do CAT ?

O CAT pode ser realizado de forma eletiva ( programada ), para melhor elucidação do quadro clínico do paciente ou de forma emergencial , como por exemplo na vigencia de um quadro de infarto do miocárdio ou angina instável de alto risco.

– As principais indicações do CAT são : infarto do miocárdio , angina do peito estável ou dor torácica com indicadores de risco ( exemplo : teste ergométrico ou cintilografia miocárdica com isquemia coronariana ) , angina do peito instável de médio e alto risco , angina do peito variante ( Prinzmetal ) , pacientes selecionados que previamente foram submetidos a angioplastia coronariana ou cirurgia de “ponte de safena” , pacientes selecionados sob avaliação de risco para cirurgia não-cardíaca , pacientes selecionados com doenças das válvulas do coração , além de cardiopatias congenitas , insuficiencia cardíaca , entre outras.

5- Existem complicações decorrentes da realização de um CAT?

Em um estudo americano , com cerca de 60.000 pacientes submetidos a CAT , observou-se uma incidencia de complicações graves em cerca de 1,7% dos pacientes ( morte : 0,11% , infarto do miocárdio : 0,05% , acidente vascular cerebral : 0,07% , arritmias cardíacas graves : 0,38% , perfuração do coração : 0,03%, reação severa ao contraste : 0,37% e complicações vasculares graves : 0,45% ). Pacientes gravemente hipertensos , estreitamento grave da válvula aórtica ( estenose aórtica ) , insuficiencia cardíaca descompensada , choque cardiogênico , insuficiencia renal e infarto do miocárdio recente ( < 24 horas ), indicam os pacientes sob maior risco. As complicações vasculares ( sangramento e formação de hematomas , espasmo da artéria , oclusao arterial e formação de pseudo-aneurisma ) sao as complicações mais comuns , no entanto , sua incidencia diminuiu a partir da utilização da técnica de cateterização pela artéria radial , ao invés de femural .

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